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quarta-feira, 17 de março de 2010

À beira de água


Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade



Foto: Graça, Lisboa, Março '10

domingo, 14 de março de 2010

As gentes I


Foto: Café Nicola, Lisboa, Março '10

segunda-feira, 8 de março de 2010

Trapos e cacos e contradições




"Há quem viva
Sem dar por nada
Há quem morra
Sem tal saber
Velha ardida
Velha queimada
Vende a fruta
Se queres comer"

José Afonso - Mulher da Erva (excerto)


Foto: Feira da Ladra, Lisboa - Março '10